Por Jefferson Rodrigues:
Olá pessoal,
Esperando o super homem é o título do filme que acabei de assistir. Na verdade acho que não foi lançado no Brasil ainda, mas pode ser encontrado na internet com legenda em português. O título original é "Waiting for superman", do diretor David Guggeinheim (o mesmo do "Uma verdade inconveniente"). Taí mais um documentário que trata dos problemas do tripé: Professor-Aluno (incluuindo a família)-Escola (podendo substituir e/ou soma à perna Escola por politicas de educação, burocracia excessiva do Estado...).
Na minha opinião um documentário muito bom. Não sei se pela experiência que estou tendo em sala de aula, mas acho que o clima da sala de professores é mesmo este, muito parecido com o que denuncia o filme:
Quando aparecerá um super homem para salvar a situação do ensino?
Claro que devo tomar o cuidado de considerar as proporções pois, afinal, não dá pra ter dúvida que as escolas ruins de lá, não são como as ruins daqui e as melhores.. bem... deixa pra lá..
Lembro dos outros vários filmes americanos sobre este tema: mentes brilhantes, ao mestre com carinho, a onda (o original), escritores da liberdade...Todos com super seres que levam as crianças e adolescentes da condição de total escuridão e falta de perspectiva de futuro ao exclarecimento, ao "empowerment" ou a autonomia (pelo menos intelectual).
Agora parece que nem lá na terra do Tio Obama - que nos vê como país alegre, futebolistico e tropical (sei que isto é uma ooooutra história) - tão segurando essa onda. Por lá o super homem já está nas últimas também. A situação chegou à sinuca como para nós em "pro dia nascer feliz" ou "entre os muros da escola" dos franceses ou ainda no "a onda" dos alemães.
E por aqui, na prática, nas aulas do Estado, tá barra pesada. De um lado a escola sem nenhum recurso (falta biblioteca, falta laboratório, falta "apostila", falta professor, falta suporte, falta salário...) de outro os alunos sem entender qual o sentido disso tudo: pra quê aula? pra que essa aula? esse formato de aula? melhor o celular, melhor a droguinha, melhor qualquer coisa que não seja a aula...
Ontem saiu na Folha "professor 'novato' desiste de aulas na rede estadual" . E a culpa cai em quem??? No professor! O governador diz que a grande desistência (entre quem acabou de assumir, cerca de dois por dia) é por conta de "problemas particulares" dos candidatos...
É de lascar! Enquanto ficam nessas desculpas esquizofrênicas, propostas curriculares "super-homens", planos nacionais e estaduais também "sobre- humanos"... O Governos as diretoras e cordenadoras exigem que sejamos super - professores para manter calmos e controlados os super - vilóes - alunos dentro do ringue sala de aula. Como se nós estivessemos do lado oposto dos nossos alunos.
E para aumentar o problema os alunos estão condicionados a nos ver como somos pintados: os rivais enviados pelo Diretora e o Governo para mantê-los calmos no ringue sala.
Enquanto professores estamos no meio da contradição... E o que é pior, com o fino véu do discurso de que "não é bem por aí... vocês não estão compreendendo bem, estamos juntos pela educação"
Pois é...
TEXTO: Jefferson Rodrigues; Sociologo e Professor da Rede Pública de Ensino
Olá pessoal,
Esperando o super homem é o título do filme que acabei de assistir. Na verdade acho que não foi lançado no Brasil ainda, mas pode ser encontrado na internet com legenda em português. O título original é "Waiting for superman", do diretor David Guggeinheim (o mesmo do "Uma verdade inconveniente"). Taí mais um documentário que trata dos problemas do tripé: Professor-Aluno (incluuindo a família)-Escola (podendo substituir e/ou soma à perna Escola por politicas de educação, burocracia excessiva do Estado...).
Na minha opinião um documentário muito bom. Não sei se pela experiência que estou tendo em sala de aula, mas acho que o clima da sala de professores é mesmo este, muito parecido com o que denuncia o filme:
Quando aparecerá um super homem para salvar a situação do ensino?
Claro que devo tomar o cuidado de considerar as proporções pois, afinal, não dá pra ter dúvida que as escolas ruins de lá, não são como as ruins daqui e as melhores.. bem... deixa pra lá..
Lembro dos outros vários filmes americanos sobre este tema: mentes brilhantes, ao mestre com carinho, a onda (o original), escritores da liberdade...Todos com super seres que levam as crianças e adolescentes da condição de total escuridão e falta de perspectiva de futuro ao exclarecimento, ao "empowerment" ou a autonomia (pelo menos intelectual).
Agora parece que nem lá na terra do Tio Obama - que nos vê como país alegre, futebolistico e tropical (sei que isto é uma ooooutra história) - tão segurando essa onda. Por lá o super homem já está nas últimas também. A situação chegou à sinuca como para nós em "pro dia nascer feliz" ou "entre os muros da escola" dos franceses ou ainda no "a onda" dos alemães.
E por aqui, na prática, nas aulas do Estado, tá barra pesada. De um lado a escola sem nenhum recurso (falta biblioteca, falta laboratório, falta "apostila", falta professor, falta suporte, falta salário...) de outro os alunos sem entender qual o sentido disso tudo: pra quê aula? pra que essa aula? esse formato de aula? melhor o celular, melhor a droguinha, melhor qualquer coisa que não seja a aula...
Ontem saiu na Folha "professor 'novato' desiste de aulas na rede estadual" . E a culpa cai em quem??? No professor! O governador diz que a grande desistência (entre quem acabou de assumir, cerca de dois por dia) é por conta de "problemas particulares" dos candidatos...
É de lascar! Enquanto ficam nessas desculpas esquizofrênicas, propostas curriculares "super-homens", planos nacionais e estaduais também "sobre- humanos"... O Governos as diretoras e cordenadoras exigem que sejamos super - professores para manter calmos e controlados os super - vilóes - alunos dentro do ringue sala de aula. Como se nós estivessemos do lado oposto dos nossos alunos.
E para aumentar o problema os alunos estão condicionados a nos ver como somos pintados: os rivais enviados pelo Diretora e o Governo para mantê-los calmos no ringue sala.
Enquanto professores estamos no meio da contradição... E o que é pior, com o fino véu do discurso de que "não é bem por aí... vocês não estão compreendendo bem, estamos juntos pela educação"
Pois é...
TEXTO: Jefferson Rodrigues; Sociologo e Professor da Rede Pública de Ensino

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